NÓS PODEMOS SER HERÓIS

Atualizado: 5 de fev. de 2020

Baseado no livro The perks of being a wallflower, escrito pelo diretor Stephen Chbosky, mostra de forma sensível os desafios de amadurecer e enfrentar perdas e ganhos



Por Fabíola Paes de Almeida Tarapanoff


Sensível e único. Poucos filmes conseguem uma ligação tão forte e afetiva com seu espectador, trazendo a lembrança de seu passado e adolescência e ver que não se estava tão sozinho, quando acreditava não encontrar seu lugar no mundo. Poucos trazem de forma tão sensível a descoberta da amizade e do amor. Dirigido por Stephen Chbosky, As vantagens de ser invisível traz a história de Charlie (Logan Lerman), um adolescente introvertido, assombrado pelo suicídio do seu melhor amigo e pelo acidente que matou sua tia, “sua pessoa favorita no mundo” quando era criança.


Com o início do ensino médio, ele sofre por não conseguir se enturmar, mas com o tempo conhece duas pessoas que mudam sua vida: Patrick, o garoto rebelde e homossexual (Ezra Miller) e sua meia-irmã Sam (Emma Watson). O trio inseparável passa por muitas descobertas: a decepção amorosa, o orgulho de terminar o colégio, a incerteza em relação ao futuro e do amor possível e real. Destaque para o protagonista, interpretado de forma sensível por Logan Lerman e para Ezra Miller, de Precisamos falar sobre Kevin, carismático e surpreendente sempre, além de Emma Watson que brilha com sua naturalidade e reafirmando o que todos já sabiam quando a viram como a bruxinha inteligente Hermione da série Harry Potter: ela é uma excelente atriz.


Há outros coadjuvantes que trazem muito sabor ao filme, como a punk budista Mary Elizabeth (Mae Whitman, de Scott Pilgrim contra o mundo) e atores como Paul Rudd como o professor de literatura e Melanie Lynskey, a Rose de Two and a half men, como a perturbada tia de Charlie.

O filme tem uma série de momentos e frases memoráveis, quando Sam pergunta a Charlie: “Por que as pessoas legais escolhem as erradas para amar?” E o menino responde: “Nós aceitamos o amor que achamos merecer”. Ou a frase: “Não podemos escolher de onde viemos, mas podemos escolher para onde vamos”.





Baseado no livro The perks of being a wallflower, escrito pelo diretor do filme, a obra é claramente autoral e mostra o início dos anos 1990, quando o mundo ainda não era tão dominado pelas novas tecnologias, perceptível pelo prazer do protagonista ao ganhar uma máquina de escrever. A trilha sonora do filme é primeira, com destaque para grandes sucessos dos anos 1970 a 1990, como New Order, The Smiths e David Bowie. Aliás, o camaleão do rock, que morreu ontem (10 de janeiro de 2016) é responsável pela música Heroes, um dos momentos mais bonitos do filme, quando o trio está em um carro em alta velocidade atravessando um túnel e Charlie olha admirado Sam subir no capô e abrir os braços como se quisesse voar. “Eu me sinto infinito”, diz o garoto. E nós sentimos que podemos ser heróis, apenas por um dia.




FICHA TÉCNICA


As vantagens de ser invisível

(The perks of being a wallflower, EUA, 2012)

Direção: Stephen Chbosky

Elenco:

Charlie - Logan Lerman

Sam - Emma Watson

Patrick - Ezra Miller

Alice - Elen Wilhelmi

Mary Elizabeth - Mae Whitman

Bill - Paul Rudd

Candance - Nina Dobrev

Pai - Dylan McDermott

Tia - Melanie Lynskey

Mãe - Kate Walsh

Derek - Nicholas Braun

Dra. Burton – Joan Cusack

Roteiro - Stephen Chbosky

Autor da obra original - Stephen Chbosky

Produtor - John Malkovitch

Produção Executiva - Stephen Chbosky

Diretor de fotografia - Andrew Dunn

Cinegrafista - Inbal Weinberg

Diretora de elenco - Mary Vernieu

Produção - Mr. Mudd Productions

Produção - Summit Entertainment

Distribuidor brasileiro - Paris Filmes 


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