Estranha sedução

Por Fabíola Paes de Almeida Tarapanoff


Virginia, 1864, três anos de Guerra Civil. A pequena Amy (Oona Laurence) colhe cogumelos no bosque. De repente, vê um soldado ferido e se assusta. Mas ele diz para ela não ter medo e pede ajuda. Seu nome é John Patrick McBurny (Colin Farrell) e ele é um soldado ianque, que enfrenta os sulistas e foi ferido em combate. A menina leva o estranho até o internato de moças onde vive. E a partir desse encontro, o estranho vai causar uma revolução no pacato local habitado por sete mulheres e conduzido por Martha Fansworth (Nicole Kidman).


Ele é o "inimigo" daquelas mulheres, que são filhas e parentes dos confederados e apesar da desconfiança inicial, por valores cristãos, elas resolvem salvá-lo da morte, curando sua perna. Essa é história de O estranho que nós amamos, dirigido por Sophia Coppola, filha do diretor Francis Ford Coppola, em 2003. Enquanto o seu pai se debruçou em obras sobre a máfia, Sofia procura em seus filmes o olhar feminino e a compreensão das relações cotidianas e mostrar personagens em momentos de crise ou tensão, que podem levar a mudanças significativas em suas vidas.

Nicole Kidman, Elle Fanning e Kirsten Dunst em O estranho que nós amamos Fonte: Focus Features


Aos poucos, ele vai conquistando e seduzindo cada uma de diferente maneira. Ao dizer a Amy que é sua melhor amiga e até Martha, que mesmo sendo uma mulher madura e vivida, vê seu desejo reavivado ao tocar o corpo de um homem depois de tanto tempo.


O maior conflito ocorre entre Edwina (Kirsten Dunst), que ensina francês às outras meninas e Alicia (Elle Fanning), que se insinua ao soldado, roubando um beijo enquanto ele dorme. Ele acaba se declarando a Edwina e procura conquistar seu afeto quando percebe que mesmo procurando ficar, ajudando na jardinagem, Martha acha que deve partir, pois sua perna já está curada.


Kirsten Dunst e Collin Farrell: perigosa atração

Fonte: Focus Features


Após um jantar em que cantam e oram junto do soldado, Edwina encontra Alicia com John na cama e fica transtornada. Acaba o agridindo e ele cai da escada. Todas acordam e correm para socorrê-lo, mas sua perna volta a sangrar em profusão. Para evitar a gangrena e morte, elas precisam amputar o membro. A partir daí, há uma reviravolta na trama e ele se torna agressivo e imprevisível e as mulheres vão precisar se defender daquele estranho sedutor. Baseado na novela The Beguiled, de Thomas Cullinan, trata-se da segunda versão para o cinema, sendo a primeira dirigida por Don Siegel em 1971, com Clint Eastwood como o cabo John e Geraldine Page como Martha. Enquanto no primeiro filme havia um enfoque na visão do soldado, aqui o olhar é feminino, voltando-se para a percepção das mulheres e sua reação a um homem que causa sentimentos contraditórios.

Cena de O estranho que nós amamos

Fonte: Focus Features


Delicada e contundente na medida certa, a direção de Sophia Coppola ressalta as nuances das complexas relações que se desenham entre as personagens: de amor, medo, ódio, rivalidade e erotismo. A obra lhe rendeu o Oscar de "Melhor Direção" no Festival de Cannes em 2017. A direção de arte caprichada traz belos figurinos e uma fotografia que ressalta o isolamento do internato e sua tediosa rotina, em meio à natureza quase selvagem. A trilha sonora dos franceses do Phoenix também ressalta os momentos de afeto e tensão na obra. Um suspense que surpreende por não optar por caminhos fáceis, mas apresentar a complexidade das relações femininas.

Trailer de O estranho que nós amamos


O estranho que nós amamos (The beguilled, EUA, 2017)

Direção: Sophia Coppola

Elenco: Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst, Elle Fanning, Oona Lawrence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard, Wayne Pere e Matt Store.

Estúdio: Focus Features

Distribuição: Universal Pictures

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