CIDADE DAS ESTRELAS

Atualizado: 5 de fev. de 2020








Em busca dos sonhos na “cidade das estrelas”, eles acabam se esbarrando. Estranham-se. Reencontram-se. E se reconhecem como iguais. Como almas, artistas que buscam um lugar ao sol enquanto devem ouvir tantos nãos.

Por Fabíola Paes de Almeida Tarapanoff


Escolhas. O tempo todo fazemos escolhas, de forma consciente ou inconsciente. E se eu aceitasse aquele emprego? E se nós ficássemos juntos? Às vezes uma simples escolha pode alterar toda uma série de acontecimentos futuros. E há os sonhos. Sempre nos guiando. Para onde vou? O que quero?

La la land – Cantando estações (La la land, EUA, 2016) fala sobre sonhos e escolhas. Mia (Emma Stone) é uma garçonete em uma cafeteria no Studio da Warner Brothers que sonha em ser atriz. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista que aprecia o jazz em suas origens, ama Thelonious Monk e Dizzie Gillespie e quer ter seu próprio bar. Em busca dos sonhos na “cidade das estrelas”, eles acabam se esbarrando. Estranham-se. Reencontram-se. E se reconhecem como iguais. Como almas, artistas que buscam um lugar ao sol enquanto devem ouvir tantos nãos.

Passam as estações e aos poucos ele consegue fechar um contrato e faz parte de uma banda mais comercial. Enquanto isso, Mia realiza o sonho de montar sua própria peça, com roteiro escrito por ela e monólogo que ela mesma interpreta. Com o tempo, eles tentam conciliar carreira e vida pessoal, uma das grandes dificuldades da vida contemporânea.



Dirigido por Damien Chazelle e música composta por Justin Hurwitz, o filme é uma verdadeira ode à Hollywood clássica, com homenagem a uma série de filmes, como Cantando na chuva (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen, em que eles dançam à luz do luar e Sinfonia em Paris, dirigido por Vicente Minnelli em 1951. Há ainda referências a Cinderela em Paris, dirigido por Stanley Donen em 1957, em que Emma Stone lembra Audrey Hepburn na "cidade luz" e Juventude transviada, de Nicholas Ray (1955), filmado no belo Observatório Griffith em Los Angeles, em que James Dean entra para a história no papel do atormentado Jim Stark. E há uma homenagem a Casablanca, de Michael Curtiz (1942), um romance que marcou gerações por um fim não exatamente feliz.

Há ainda espaço para referências ao cinema europeu, como O balão vermelho, dirigido por Alberto Lamorisse em 1956 e Os guarda-chuvas do amor, de Jacques Demy (1957). Apesar de críticas na mídia sobre o desempenho como cantores e dançarinos, Gosling e Stone fazem bem seu papel e os personagens são pessoas normais que tentam um espaço no mundo artístico e não gênios como Fred Astaire e Ginger Rogers.

Maior vencedor do último Globo de Ouro, com sete estatuetas, o filme concorreu a 14 indicações em 13 categorias do Oscar (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Gosling), Atriz (Stone), Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Mixagem de Som, Direção de Arte, Melhor Roteiro Original e Melhor Canção (City of stars e Audition – the fools who dream). O musical conseguiu assim o chamado “big five”, com indicações nas categorias mais prestigiosas do Oscar: Filme, Direção, Ator, Atriz e Roteiro. Recentemente Trapaça conseguiu esse feito e em toda história do Oscar somente três longas venceram nessas cinco categorias: O silêncio dos inocentes, dirigido por Jonathan Demme em 1991, Um estranho no ninho, dirigido por Milos Forman em 1975 e Aconteceu naquela noite, dirigido por Frank Capra em 1934.


Alguns críticos consideraram o número de indicações excessivo, mas o filme tem seus méritos, além de ser exatamente o tipo de obra que agrada a academia, ao mostrar artistas buscando realizar seu sonho justamente em Hollywood. Acabou ficando com seis estatuetas, de Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Diretor (Damien Chazelle), Música Original (City of stars), Trilha Sonora, Fotografia e Design de Produção. No final da premiação La la land foi erroneamente anunciado como Melhor Filme por Warren Beatty e Faye Dunaway, mas a produção ao perceber o erro, logo chamou ao palco a equipe de Moonlight: sob a luz do luar, dirigido por Barry Jenkins.  A direção de arte é inspirada e lembra muito os anos 1950, apesar de se passar na época atual. As cenas de dança e as músicas são belas e lembram uma Hollywood esquecida. Impossível não terminar de ver sem sentir certa nostalgia e melancolia em pensar que as escolhas estão sendo feitas sempre e a todo momento. E simplesmente podem mudar o rumo inteiro de uma vida.


FICHA TÉCNICA

La La Land – Cantando Estações (La la land, EUA, 2016) Direção: Damien Chazelle Música: Justin Hurwitz Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, Rosemarie DeWitt, Sonoya Mizuno e Callie Hernande.

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